O Futebol é cimento, o do chão e o da alma

Cimento. Deve ter um ano, eu li numa entrevista de um jornal português com o escritor brasileiro Sérgio Rodrigues. Cimento. O repórter perguntava se o futebol era bom ou ruim para as relações familiares. E o Sérgio respondeu que era o cimento principal das primeiras alianças entre pais e filhos (cada vez mais mães e filhasContinuar lendo “O Futebol é cimento, o do chão e o da alma”

Graciliano errou, ainda bem

[por paulo silva junior] “O futebol não pega, tenham a certeza. Não vale o argumento de que ele tem ganho terreno nas capitais de importância. Não confundamos. As grandes cidades estão no litoral; isto aqui é diferente, é sertão.” Graciliano Ramos, felizmente, errou. Nessa crônica publicada em Palmeira dos Índios, o escritor alagoano se arriscouContinuar lendo “Graciliano errou, ainda bem”

Torcer é claustrofóbico

[por paulo silva junior] Aberta a transmissão ao vivo da rodada de domingo num canal de TV a cabo, a repórter, direto de São Januário, informa que a torcida do Flamengo que já está dentro do estádio reclama da falta de água. Parece que a lanchonete estava fechada no setor dos visitantes, ou mesmo asContinuar lendo “Torcer é claustrofóbico”

Não existe clássico do bem

[por paulo silva junior] Na frente da bilheteria destinada aos visitantes – um único guichê, insuficiente, e que fez com que alguns torcedores perdessem todo o primeiro tempo – um repórter com microfone na mão vai fitando quem passa já com o ingresso entre os dedos. Vem em minha direção. – Pode falar um instante?Continuar lendo “Não existe clássico do bem”

Uma vida a 105m por 68m

[por paulo silva junior] A dupla Richard Giulianotti e Roland Robertson, entre outros textos, ensaios e pensatas, lançou em 2009 o livro Globalization and Football, cujo título autoexplicativo revela uma reflexão sobre como o jogo possibilita pensar a relação entre toda a influência de uma estética política e economicamente dominante – no caso do futebol, aContinuar lendo “Uma vida a 105m por 68m”

Não é só subir, é criar memória

[por paulo silva junior] A primeira coisa que guardei na memória foi um vaso de louça vidrada, cheio de pitombas, escondido atrás de uma porta. Assim começa Infância, de Graciliano Ramos, o relato autobiográfico cujo título já explicativo remete aos primeiros anos de vida do pequeno Graça em Alagoas e Pernambuco. O meu primeiro jogoContinuar lendo “Não é só subir, é criar memória”

Em Geraldinos, futebol é janela para entender a luta pela cidade: alguém ainda duvida da força da metáfora?

Lima Barreto detestava o futebol, achava que o jogo motivava a falta de educação, a discórdia, que era coisa que não prestava; para Graciliano Ramos, essa coisa de chutar bolas não ia pegar, no máximo um “fogo de palha que deve durar um mês” ao chegar no sertão, chegou a escrever. Foi-se o tempo deContinuar lendo “Em Geraldinos, futebol é janela para entender a luta pela cidade: alguém ainda duvida da força da metáfora?”

Diego Jaume não tuitou hoje

[por paulo silva junior] Diego Jaume é um sujeito tranquilo e com pinta de atleta, ainda que a estatura – 1,80m – não escancare que o uruguaio de 41 anos tenha construído uma carreira de defensor no futebol local e também na Espanha, onde se aposentou em 2008, jogando pelo Hércules. Mas saltava muito, aContinuar lendo “Diego Jaume não tuitou hoje”

Do rodapé de uma parede cheia de pôsteres

[por paulo silva junior] Pelo amor de Bryan Ruiz, como se desfruta por eterno duma tarde como essa, perguntava uma exaltada costarriquenha atrás de um dos gols do Mineirão, sol a pino, quem diria, vendo a seleção nacional num inédito gozo do jogar já classificada num Mundial. Logo ela, torcedora do Liverpool, confessa, que juravaContinuar lendo “Do rodapé de uma parede cheia de pôsteres”